publicado no Público de 11 de Agosto de 2012
No
sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que
andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à
província de pais e avós.
Em
órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos
com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à
terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional,
devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo.
Com curvas e contracurvas. Montanhas e escarpas. Currais, casas e animais.
Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas.
Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e
tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os
avós.