Ligou-me há um mês atrás para me dar os parabéns. Do
Indiana. Estava calor, vários fahrenheit, que só por si já são muitos. “Em
Chicago é que é bom”, acrescentou. Que grande maluco! O que virá a seguir? “Estou
no Alabama! Aqui no faroeste do Colorado é uma autêntica torreira”. Imagino-o
nos desfiladeiros, dos filmes de cowboys que víamos na infância. A esta
distância, agora percebo que logo nessa altura, o mundo poderia ser pequeno
para o irrequieto Carlitos. Eramos como irmãos. Para mim também um melhor
amigo. Fazíamos coisas de putos, normais da idade. Com as raparigas sempre foi
mais afoito. Mas agora refiro-me aos espalhanços de bicicleta, aos carros de
rolamentos, aos piões. Partilhas e cumplicidades. Algumas bem parvas, como escondermos
um ramo de cabeças de alho nos sacões de papelão de dezenas de pães que os
nossos pais nos encomendavam para o café.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Voltar à terra
publicado no Público de 11 de Agosto de 2012
No sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à província de pais e avós.
Em órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional, devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo. Com curvas e contracurvas. Montanhas e escarpas. Currais, casas e animais. Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas. Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os avós.
No sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à província de pais e avós.
Em órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional, devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo. Com curvas e contracurvas. Montanhas e escarpas. Currais, casas e animais. Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas. Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os avós.
domingo, 15 de abril de 2012
MAC - o berço do país
A MAC é o berço
do país. Não confundir com o facto de Guimarães ser o berço da nação. Não se
trata de nenhuma ataque anti-regionalista, são coisas diferentes. A MAC é o
berço de Portugal!
A MAC é vida.
Fechá-la é morrer. É matar um pedaço de Portugal. É
dispersar e perder conhecimento acumulado de valor incalculável na ciência de
fazer nascer, dar vida e oferecer paternidade. A MAC é também sinónimo de
justiça e pluralidade social. Todos nascemos iguais, ou devíamos, quanto mais
não fosse na possibilidade de acesso a cuidados de assistência médica com
segurança e qualidade.
O nascimento é
um elemento fulcral da sociedade. Contribui para o equilíbrio da pirâmide
demográfica e numa altura em que se fala tanto na sustentabilidade da segurança
social, congelam-se as reformas antecipadas a montante e cortam-se nos
nascimentos, a jusante. É claro que este corte é insignificante em termos quantitativos,
mas como se já não bastasse a falta de política de incentivo e apoio à
natalidade, não deixa de ser mais uma machadada. Mesmo que simbólica e moral.
Apesar de não conhecer os números, simbólica deverá ser também a poupança de
despesa que justifica este fecho. Ou o ganho na rentabilização do
aproveitamento dos serviços de parto e neonatologia de outros hospitais. Ora,
sendo simbólico, de certo não o será a dispersão, logo perda, de conhecimento
de valor inestimável, como já referi. Nascer não é como arrancar um dente, por
muito amor que se tenha a um dente. Nascer é sim, o expoente máximo de um acto
de amor! Com todo o sofrimento, emoção e responsabilidade que
acarreta. Então porquê fechar? Privilegie-se pelo menos desta vez o que é
genuíno, nosso, tradicional, cultural, cientifico!
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