Não
resisti e tive que escrever umas palavras. A imagem é a caricatura perfeita de
um país que se encontra na situação que se conhece, comemora a implantação da
república, longe do povo, num feriado com extinção prometida. Pela situação que
se conhece. A Bandeira não foi hasteada simplesmente ao contrário. Militarmente
quereria dizer que o inimigo estaria próximo e estavamos em perigo, mas não estamos em cenário de guerra,
militar, apesar de até essa já ter sido uma hipótese mais remota. A bandeira
está sim, invertida. Pelo menos foi isso que tive que fazer no Microsoft Picture Manager para obter um
resultado igual ao do Cavaco e do António Costa. Somos portanto, uma nação
invertida, e apesar do colorido da bandeira, não estaremos a querer mostrar ao
mundo que somos todos orgulhosamente gays. Como sugere o dicionário
para invertido. Que a coligação é farinha do mesmo saco, ou socialistas e sociais democratas jogam na mesma equipa. Deixámos foi de estar habituados aos mesmos usos e costumes.
Língua ainda temos, mas cada vez menos nos entendemos ou somos entendidos.
Governados por leis próprias e soberania também já era. Começo a ter dúvidas
que tenha sido apenas um ingénuo erro protocolar, tal é o enquadramento cénico. sábado, 6 de outubro de 2012
Palavras para quê? (parte 2)
Não
resisti e tive que escrever umas palavras. A imagem é a caricatura perfeita de
um país que se encontra na situação que se conhece, comemora a implantação da
república, longe do povo, num feriado com extinção prometida. Pela situação que
se conhece. A Bandeira não foi hasteada simplesmente ao contrário. Militarmente
quereria dizer que o inimigo estaria próximo e estavamos em perigo, mas não estamos em cenário de guerra,
militar, apesar de até essa já ter sido uma hipótese mais remota. A bandeira
está sim, invertida. Pelo menos foi isso que tive que fazer no Microsoft Picture Manager para obter um
resultado igual ao do Cavaco e do António Costa. Somos portanto, uma nação
invertida, e apesar do colorido da bandeira, não estaremos a querer mostrar ao
mundo que somos todos orgulhosamente gays. Como sugere o dicionário
para invertido. Que a coligação é farinha do mesmo saco, ou socialistas e sociais democratas jogam na mesma equipa. Deixámos foi de estar habituados aos mesmos usos e costumes.
Língua ainda temos, mas cada vez menos nos entendemos ou somos entendidos.
Governados por leis próprias e soberania também já era. Começo a ter dúvidas
que tenha sido apenas um ingénuo erro protocolar, tal é o enquadramento cénico. sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Fábulas da pontinha
Desta pontinha da
Europa ou das várias pontinhas, principalmente as do sul, histórias que têm
sido ultimamente utilizadas por todos e mais alguns para caracterizar os mais
variados episódios da atualidade nacional. Pelos políticos principalmente. O rato
(o Macedo, tomei a liberdade de escolher um animal, à boa maneira da fábula), disse
haver mais cigarras (calões para ele, políticos oportunistas para nós) do que
formigas (os trabalhadores). Uns dias antes, na quadratura do círculo, na sic,
foi um desfilar de personagens nos comentários aos então recentes anúncios do ministro
das Finanças. Desde logo no painel: uma pereira (o Pacheco), um lobo (o Xavier) e
um sapo (o Costa, não no nome mas na figura). Começou o lobo (o Xavier), num tom pausado e
com o seu quê sobranceiro por contar que quando o leão (o Passos) está
moribundo, até o burro (o Seguro, o Jerónimo ou o Louçã) lhe dá pontapés. Ao
que a pereira (o Pacheco) contrapôs com exigência de objetividade, caso contrário
também ele contaria a história do boi (falas, falas) e a rã (mas não dizes nada).
E assim continuaram com referências a outras histórias e lendas, o Rei vai nu
(o Governo), o Pedro (o Sócrates) e o Lobo (a troika)… e eu “Irra, acabem lá com
isso e desenvolvam!”, óbvio que não me ouviram.
De histórias e
disfarces percebem eles, mas nós queremos é transparência e competência. Fábulas,
conheço-as agora melhor, conto-as à noite aos meus putos, de um livro que as
tem originais e em verso, eles adoram os desenhos e ficam sem perceber se a história já acabou, mas
acabam por dormir, embora que com a sensação de que foram enganados. Tal como
nós, mas nós já passamos a fase da sensação, não queremos que nos embalem e
adormeçam como se fôssemos crianças. Estamos bem acordados, temos pouco sono e muitas
insónias! Não resulta. É má comunicação: 1º nem toda a gente conhece as
fábulas; 2º mesmo conhecendo-as, nem sempre a moral é clara e evidente (como na
da rã e do boi em que eu próprio fiquei baralhado); 3º é muito fácil trocar os animais e
subverter a moral (certo Macedo?); 4º irrita ouvir falar de coisas sérias com
este desplante. E assim também eu anuncio que o macaco (o Vítor) fez mais umas macacadas, a raposa (a troika) está à espreita e os animais (nós) em alvoroço e sem governo.
Pior ainda, é que foi um grego (o Esopo) que inventou as fábulas, só faltava que quem as aperfeiçoou (o La Fontaine) fosse alemão em vez de francês, o que já de si é suficientemente mau.
Pior ainda, é que foi um grego (o Esopo) que inventou as fábulas, só faltava que quem as aperfeiçoou (o La Fontaine) fosse alemão em vez de francês, o que já de si é suficientemente mau.
Blaugranas
Só o nome já é
um bocado abichanado. E sinceramente é o que parecem, uma cambada de maricas a
jogar à bola. Toma vai tu, não vai tu, não não leva tu, joga para mim agora,
mete naquele a seguir, joga para trás, para a frente, trás, frente, para o lado,
dá cá outra vez, agora vou eu sozinho, deixa-me passar, não me toques, só mais
um, espera, toma vá marca lá, é só encostar, não, ainda não me apetece, vou
virar de flanco, passa passa. E andam nisto minutos a fio. Irrita qualquer um.
Muito aguentam os adversários, pois a vontade é de lhes bater ininterruptamente
(o que até foi acontecendo mais para o final). E deve ser isso que eles querem,
que lhes batam para ainda passarem por coitadinhos. Nem faltas fazem, que o
futebol é para se jogar. E quando as fazem, só para disfarçar, fazem-nas mal e
até que magoam, ao ponto de serem expulsos. Possivelmente até de propósito, só
para mostrarem que com menos um, continua tudo na mesma. Vaidosos exibicionistas.
Mimados, invejosos que não emprestam nada a ninguém! Eu sempre aprendi que tem que se partilhar. Se é para eles terem uma bola só para eles, então que se mudem as regras, uma para eles, que pode ser de outra cor, se quiserem até pode ser blaugrana, e outra branca. A bola deles não conta para nada, exceto quando entra na sua baliza, a branca tem a função habitual num jogo de futebol normal e tem que ser disputada. Isso é que eu queria ver! Se mesmo assim conseguissem ficar com as duas, então dava o braço a torcer. Se calhar é melhor não, também não os quero ferir na sensibilidade. Mas devia, porque o que eles fizeram foi andar a jogar à rabia num campo de papoilas saltitantes que para pouco mais serviram do que para cenário. Abanavam de vez em quando as pétalas à passagem dos meninos da bola e mais não fizeram do que ligeira comichão e provocar algumas quedas.
Há que lhes perder o respeito e não prestar vassalagem, pois é o que começa a parecer. O futebol espetáculo não é decididamente isto. Podem ser o melhor conjunto dos jogadores mais dotados tecnicamente de sempre. E até posso dizer que tive o privilégio de os ver jogar várias vezes. Mas dá sono.
Mimados, invejosos que não emprestam nada a ninguém! Eu sempre aprendi que tem que se partilhar. Se é para eles terem uma bola só para eles, então que se mudem as regras, uma para eles, que pode ser de outra cor, se quiserem até pode ser blaugrana, e outra branca. A bola deles não conta para nada, exceto quando entra na sua baliza, a branca tem a função habitual num jogo de futebol normal e tem que ser disputada. Isso é que eu queria ver! Se mesmo assim conseguissem ficar com as duas, então dava o braço a torcer. Se calhar é melhor não, também não os quero ferir na sensibilidade. Mas devia, porque o que eles fizeram foi andar a jogar à rabia num campo de papoilas saltitantes que para pouco mais serviram do que para cenário. Abanavam de vez em quando as pétalas à passagem dos meninos da bola e mais não fizeram do que ligeira comichão e provocar algumas quedas.
Há que lhes perder o respeito e não prestar vassalagem, pois é o que começa a parecer. O futebol espetáculo não é decididamente isto. Podem ser o melhor conjunto dos jogadores mais dotados tecnicamente de sempre. E até posso dizer que tive o privilégio de os ver jogar várias vezes. Mas dá sono.
domingo, 16 de setembro de 2012
A vida que nunca tivemos?
Cerca de 600 mil reclamaram ontem nas ruas, na maior
manifestação em Portugal após o 25 de Abril, contra as mais recentes medidas do
Governo. Muitos milhões seguiram solidariamente onde quer que estivessem.
Outros tantos terão pelo mundo fora notado, mesmo que por breves segundos, que
algo de importante se passava neste nosso canto. No espaço de uma semana, a era
global da informação permitiu através de um único meio – o Facebook – a mobilização
de quase um milhão de pessoas (se juntarmos os portugueses que além fronteiras
se manifestaram, não deve andar longe), sob o lema: “Que se lixe a Troika.
Queremos as nossas vidas”. Simples, direto, assertivo. As nossas vidas! É disto
que se trata.
O que têm sido as nossas vidas? Até há pouco tempo atrás, Portugal
era um país bom para viver. Os que pouco ou muito pouco tinham, iam-se safando,
os que tinham alguma coisa, safavam-se e os que tinham muito safavam-se à
grande. Até os que lá fora nada tinham para cá vinham. Agora fogem para os seus países
e nós para os deles. Os que têm muito já partiram, os que têm alguma coisa,
perspetivam cada vez menos e são forçados a ir, os que pouco têm, arriscam-se a nada ter e, são cada vez mais os que nada têm. Dizem-nos
agora que vivíamos acima das nossas possibilidades. Após o último auxílio do FMI
ao nosso país, há sensivelmente 30 anos atrás, seguiu-se a entrada na CEE e desde
então foi sempre a subir. Vertiginosamente, sem olhar para trás, nem para a
frente. Fomos inundados por uma onda de benefícios e facilidades, que naturalmente
aproveitámos sem grande orientação ou caminho definido. Subsídios, fundos,
créditos e apoios. Para gastar. Sem estratégia de ninguém. Cidadãos ou Estado.
Todos comeram! Agora a vaca secou, mirrou (pelo menos
para alguns) e pior exibe-nos a conta, percebemos que temos sido enganados e
iludidos por facilidades aparentes e perniciosas. Antes do FMI em 1983, vivemos
a pós-revolução com o desnorte e dificuldade normal de quem se liberta do
totalitarismo, de uma ditadura autoritária e repressiva, espelho da falta de liberdade
e condições dignas para viver. Antes disso as perturbações das primeiras
repúblicas. Não tínhamos as nossas vidas, como não as temos agora.
A vida que vamos ter nunca a tivemos. Vasco Pulido Valente escrevia hoje no Público, sob o título “Ano
II da era da crise”. Da minha curta existência, para mim será o ano 30 e qualquer
coisa da era da ilusão. O que tentamos ver pela frente chega em forma de ajuda
tripartida com um custo indecente de pobreza somado de juro nada solidário, que só nos afundará mais. As alternativas
que poucos nos sabem explicar, apontam para a renegociação de dívida rompendo
com os que nos amarram, mas aumentado o risco de bancarrota. Que aliás nos tem
acompanhado ao longo da história. O que
custa é olhar para trás, mais até do que para a frente, e perceber que afinal
raramente tivemos verdadeiramente as nossas vidas. Mais do que as nossas
vidas queremos um rumo, uma identidade de futuro que não o imediato. A navegação
à vista, deu resultado nos descobrimentos, há 500 anos atrás. E já aí demonstrávamos arte, engenho, competência, coragem.
sábado, 8 de setembro de 2012
Pesadelo
Ontem o dia estava quente e
húmido, estranho e desajustado de um período de retoma de atividade após época
de férias. O país
consome-se nas notícias e nos incêndios devastadores. O BCE até vai começar a comprar ilimitadamente a dívida e as bolsas
subiam como já não era hábito. Presságio e engano. O primeiro-ministro ia falar
ao país meia hora antes do jogo de Portugal no Luxemburgo. Finalmente seria
conhecido o tão aguardado resultado da avaliação do 5º exame da troika. O
otimismo e esperança pessoais foram praticamente desfeitos com o pré-anuncio de
austeridade e a desconfiança dos exames de 2ª época, que nunca foram de fiar. O
resultado ouvi-o então na rádio. Falou, anunciou, destruiu. Uma terrível
machadada! Aos euros de roubo no ordenado somaram-se a descrença, o desânimo, a
desmotivação, o desacreditar. Calou-se, 5 minutos de análise dos comentadores
e, chega. Pois a bola já rolava. Uma volta completa pelas frequências
radiofónicas e nada de austeridade: música para alegrar e o relato para
distrair. Golo dos amadores luxemburgueses, sobre os tristes burgueses de
Portugal. Só podia ser pesadelo! Será que a troika encena tudo isto?
O pesadelo temo-lo vivido, não
ontem, mas nas últimas décadas. Só que em forma de sonho. Que pior do que viver
na ilusão, no engano de uma falsa prosperidade, governados pelas mentiras, más
políticas e oportunismos de uma classe e sistema orientados por interesses de
uma minoria que quer controlar e manipular em seu benefício? E assim
continuamos com remendos, ou remédios austeros num sistema económico e
financeiro mundial obsoleto e disfuncional. Equidade entre empresas e
trabalhadores, só nos ideais supostamente utópicos do comunismo. Equidade numa
taxa igual, transversal e cega para todos, só em teoria, na prática sem
solidariedade. Equidade só se for no aproximar dos salários baixos ao
desemprego.
Temos que acordar!
PS: No meu pesadelo que foi bem real, ainda antes do pré-anuncio fui multado e bloqueado pela EMEL numa brincadeira de 90 euros. O que, vistas bem as coisas é um mal menor, mas que contribui para a depressão final. Mais um exemplo de como muitos males menores, se assumem cada vez maiores e nos vão deitando a baixo...
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Mercado da Ribeira
publicado no site do Record http://www.record.xl.pt/opiniao/leitores/interior.aspx?content_id=776579
Abre às 6 e fecha às 15. Ou abria, já teve melhores dias e agora é um ponto turístico, mas enquanto funcionava, toda a gente conhecia as regras. Agora, o mercado das transferências futebolísticas é um verdadeiro “salve-se quem puder”. Há mercados regulamentados, mas este não se pode dizer que o seja, apenas por ter definidos dois períodos temporais em que se podem fazer transações. De jogadores. No verão e no inverno. A lei é só uma: milhões de euros. Muitos. Quem tiver mais, ganha. Ganha porque compra e não deixa mais ninguém comprar.
Abre às 6 e fecha às 15. Ou abria, já teve melhores dias e agora é um ponto turístico, mas enquanto funcionava, toda a gente conhecia as regras. Agora, o mercado das transferências futebolísticas é um verdadeiro “salve-se quem puder”. Há mercados regulamentados, mas este não se pode dizer que o seja, apenas por ter definidos dois períodos temporais em que se podem fazer transações. De jogadores. No verão e no inverno. A lei é só uma: milhões de euros. Muitos. Quem tiver mais, ganha. Ganha porque compra e não deixa mais ninguém comprar.
Estamos em
crise, não há dinheiro e a grande maioria dos clubes compra muito pouco. Nada
se passa, até que, intencionalmente, no último dia, 2 ou 3 clubes-império assediam o
que há muito tencionavam assediar. O poder negocial dispara e impõem a sua
vontade à força dos milhões que acenam numa mão aos clubes e jogadores. No
pulso exibem o relógio em contagem decrescente. Finalmente há dinheiro e o
mercado agita-se. Os clubes que recebem, logo pensam em investir e reforçar os
planteis, acabadinhos de desfalcar. Tarde de mais, o mercado fechou! Mas o quê?
Já?! Não calma, na França, Turquia e Rússia continua aberto. Ah bom! Bom, mas
para quem tem dinheiro! Outra vez não! Agora ainda é melhor para quem compra. Pouca concorrência e ainda bons artigos. É
só tirar 40 milhões de um bolso mais 40 do outro e esperar pacientemente. Qual
frio, qual ambição, qual glória, qual quê! “Onde se assina?”, perguntam Hulk e
Witsel. E o que fazer com 60 milhões no bolso e as calças na mão, Benfica? Nada. O mercado já tinha
fechado. Quem até se foi precavendo, o Porto, terá menos danos, quem não o fez
resta-lhe aguardar pela humilhação na Luz com o Barcelona. A época passada ficaste em fevereiro, nesta não chegas a outubro. O Vieira podia ter
feito mais? Apenas antecipar-se com um pseudo-substituto contratado
atempadamente, ou com uma renovação que até foi tentada em cima da hora. Mas
não há nada que vença os litros de milhões do gás russo. Espero que também sirvam para o aquecimento central!
Quem tem dinheiro salva-se. A feira da ladra talvez seja mais leal. Este mercado é uma ladroagem! É por isso que eu agora só vejo a segunda liga e o Benfica B: não há mercado nem contratações de jogadores influentes à última da hora, jogam os jovens e outros reforços que nunca puderam mostrar valor, os jogos são transmitidos em sinal aberto na isenta Benfica TV (e não nos chulos da SportTv ou nos míopes da TVI que não sabem distinguir jogadores) e melhor que tudo, o Porto não ganha, está apenas acima da linha de água e mesmo que fosse campeão nem à europa ia.
Quem tem dinheiro salva-se. A feira da ladra talvez seja mais leal. Este mercado é uma ladroagem! É por isso que eu agora só vejo a segunda liga e o Benfica B: não há mercado nem contratações de jogadores influentes à última da hora, jogam os jovens e outros reforços que nunca puderam mostrar valor, os jogos são transmitidos em sinal aberto na isenta Benfica TV (e não nos chulos da SportTv ou nos míopes da TVI que não sabem distinguir jogadores) e melhor que tudo, o Porto não ganha, está apenas acima da linha de água e mesmo que fosse campeão nem à europa ia.
sábado, 1 de setembro de 2012
RTP e 2ª época de exames-troika
Evidentemente fará sempre confusão a privatização de um
serviço público tão facilmente exposto às guerras e às pressões comerciais das
audiências. Primeiro há que perceber, faz sentido privatizar? A RTP até não dá
lucro? Dá. Mas é cara. Mas dá lucro! É difícil de entender, mas admitindo que
faz sentido, e uma vez privatizada, um dos riscos será perder o serviço
público, e nesse cenário, reconhecer o erro e recuperá-lo. Em termos lógicos,
parece-me que até seria mais fácil fazê-lo com uma concessão. Assim de repente
e ainda influenciado pelas férias, as praias também são concessionadas. Aí é
fácil controlar, até se pode por o nadador salvador a cobrar os toldos e a
impedir que sejam colocados chapéus de sol no horizonte. Quem pode, quer, paga
e usufrui de uma boa praia, quem não pode ou não quer, arranja praia de segunda,
compra gelados e vai ao wc do concessionário. O mesmo que paga o servidor
público – o nadador. Se até na praia é difícil definir quantos nadadores por
metro são precisos, pior será definir serviço público de televisão e em que
quantidade, num canal que está longe de ser uma praia. Portanto, quem não
gostar do serviço público concessionado da RTP1, terá que se contentar com serviço
público na RTP2. Isto se o canal se mantiver, o que não é claro, como não é nem
nunca foi claro, o porquê da privatização. Porque o
Relvas prometeu a alguém? A quem? Porque a troika disse? Mas o que é que a
troika sabe? Aplicar programas, que muitas vezes não encaixam na grelha.
A troika está cá para mais um exame. Toda a gente sabe que
Agosto não combina com avaliações e exames, e só isso é razão para alarido.
Pior ainda quando se sabe que a avaliação será negativa. A não ser que o
avaliador não olhe apenas aos números deficitários, mas também ao texto e ao
contexto, o que até já fez com outros países, que por terem fama de alunos bem
comportados, foi-lhes concedida essa benesse. É aguardar sem histerismos. Antes
histéricos do que amorfos, abatidos e resignados. Mas não posso deixar de
opinar que tudo isto estará também empolado pelo stress pós férias-crise, que
explico no post anterior e já agora completo: a alucinação também será um sintoma, é que a Administração da RTP caiu, mas o Relvas continua...
Stress pós férias-crise
Já era conhecido o stress pós-férias, que não é mais do que
o nome pomposo para ressaca e preguiça depois do descanso. É este o estado
geral da sociedade portuguesa, nesta altura do ano. O que safa é haver ainda
pouco trânsito. Os sintomas são claros: ansiedade, cansaço, tristeza, mau
humor, insónias. E como estamos em crise, as férias onde é suposto descansar
dos deveres e obrigações quotidianas, foram diferentes. Com a crise, as férias
foram cá dentro, é o mesmo que dizer que fizemos férias nela, com ela ou dentro
dela. Da crise entenda-se. Nas férias o português arranja sempre forma de contorná-la
e de certa forma esquecê-la, o que até confere o sentimento de realização
pessoal. Não dá para ir para fora ficamos cá dentro, não dá para ir para o
Algarve, ficamos na Costa, não dá para ficar no hotel ficamos em casa e comemos
fora, não dá para comer fora, fazemos o farnel e levamos para a praia, não dá
para comprar de marca, compramos da marca do supermercado. E isto cansa. De um
dia para o outro as férias acabam e apesar da crise ter estado sempre presente
na lancheira, voltamos ao trabalho e deixamos de a conseguir contornar. Lá se
vai a realização pessoal do desenrasque. O stress pós-férias é assim agravado
pela crise, dando lugar ao stress pós férias-crise que é trinta vezes pior.
Estamos sensíveis e perante qualquer acontecimento, faz-se um grande alarido e
entra-se em histeria. São estes os dois sintomas que distinguem um stress do
outro: alarido e histeria.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Live at London
Ainda os jogos. Já se sabia que os ingleses
têm a mania de serem diferentes. Fizeram questão de o mostrar mais uma vez
nestes olímpicos. Prova disso foi a cerimónia de abertura, mas principalmente a
de encerramento. Não sei agora precisar quanto, mas com orçamento bastante
inferior ao da última edição, a faraónica de Peqim, os britânicos não se deixaram
passar despercebidos e não fizeram cerimónia. Fizeram sim, uma grande cerimónia.
O ponto alto foi, com toda a certeza (pelo menos para mim), a ressurreição de Freddie Mercury em pleno estádio olímpico para a reedição interativa do “Live at Wembley”. Momento genial! Quem imaginaria voltar a ver e ouvir, a sentir, um estádio inteiro a acompanhar em uníssono esse ícone musical com os famosos “dirórês”? Melhor, não poderia ter resultado. Qualquer apreciador de música ao vivo e de todo o espetáculo subjacente terá desejado estar presente. Brian May um monstro da guitarra, bem vivo, revigorou “We will rock you”, tema já de si bem pujante, num excelente dueto com a bela Jessie J. O desfile de ídolos não se ficou por aqui. Pode-se até dizer que foi a cerimónia do prefixo “re”. Reaparecimentos de John Lennon e dos Beatles (Paul McCartney na abertura), David Bowie, George Michael, The Who, Annie Lennox, Pet Shop Boys, Pink Floyd. Reavivar e relançamento de Artic Monkeys, Kaiser Chiefs, Jessie J… e o rejuvenescimento das maduras, mas sempre picantes Spice Girls.
O ponto alto foi, com toda a certeza (pelo menos para mim), a ressurreição de Freddie Mercury em pleno estádio olímpico para a reedição interativa do “Live at Wembley”. Momento genial! Quem imaginaria voltar a ver e ouvir, a sentir, um estádio inteiro a acompanhar em uníssono esse ícone musical com os famosos “dirórês”? Melhor, não poderia ter resultado. Qualquer apreciador de música ao vivo e de todo o espetáculo subjacente terá desejado estar presente. Brian May um monstro da guitarra, bem vivo, revigorou “We will rock you”, tema já de si bem pujante, num excelente dueto com a bela Jessie J. O desfile de ídolos não se ficou por aqui. Pode-se até dizer que foi a cerimónia do prefixo “re”. Reaparecimentos de John Lennon e dos Beatles (Paul McCartney na abertura), David Bowie, George Michael, The Who, Annie Lennox, Pet Shop Boys, Pink Floyd. Reavivar e relançamento de Artic Monkeys, Kaiser Chiefs, Jessie J… e o rejuvenescimento das maduras, mas sempre picantes Spice Girls.
Não foi preciso inventar muito, bastou usar o que já estava
inventado. Com tanta matéria-prima, o trabalho de qualquer realizador,
encenador ou coreógrafo, restringe-se à tarefa de gestor de alinhamento. Simples,
mas boa música, requinte e bom jogo de luzes: sai uma cerimónia e um espetáculo
grandioso.
Foram os britânicos a exibirem o que de melhor a sua cultura tem exportado ao longo dos últimos 50 anos. E quer se queira, quer não, também através da cultura lá estiveram os genes portugueses, com sotaque brasileiro na passagem de testemunho para 2016.
(Como não consegui comprar os direitos de imagem, ficam os links: Queen - http://www.youtube.com/watch?v=YzoyDILKlhY; Spice Girls - http://www.youtube.com/watch?v=PArTdhNda7k)
Foram os britânicos a exibirem o que de melhor a sua cultura tem exportado ao longo dos últimos 50 anos. E quer se queira, quer não, também através da cultura lá estiveram os genes portugueses, com sotaque brasileiro na passagem de testemunho para 2016.
(Como não consegui comprar os direitos de imagem, ficam os links: Queen - http://www.youtube.com/watch?v=YzoyDILKlhY; Spice Girls - http://www.youtube.com/watch?v=PArTdhNda7k)
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Correio do leitor
As secções jornalísticas destinadas à correspondência dos
leitores causam-me algum desconsolo. Em nome da poupança de espaço, cortam e
truncam o que lhes apetece. No fundo praticam austeridade literária. E nesse
sentido, sinto-me lesado, pois a minha, boa ou má, não deixa de ser literatura.
É por isso que reclamo um artigo publicado, mas num espaço condigno, sem
censura e com relativo destaque. É ambicioso e presunçoso? Sim. Mas apetece-me
reclamar os meus 15 minutos de fama. Que serão apenas algumas dezenas de
segundos, não mais do que o tempo que demora a ler um texto como este.
Por ventura estarei a ser demasiado pretensioso. Afinal de
contas, não tenho qualquer formação superior que me confira qualquer
credibilidade para, de repente, querer publicar um texto. Mas antes desabilitado do que com uma licenciatura “relvaticamente” formada. Ou forjada. Bem sei que vivemos numa
selva em que vale tudo. Mas eu estudei, trabalho, desconto e na velhice a única
certeza que tenho é a de que a reforma será uma miragem. A mesma reforma que
outras ervas daninhas adquirem em meia dúzia de anos no parlamento. As tais
subvenções criadas pelo Cavaco para compensar os que servem o país, pelas
oportunidades profissionais perdidas no tempo de desgovernação. Vá lá que o
Sócrates estava atento e acabou com isso. Terá sido o assumir que afinal a
governação não fecha portas, abre sim os gabinetes de grandes empresas. As
mesmas onde se começa a pagar e procurar mais um serralheiro ou um carpinteiro,
do que um arquiteto ou um engenheiro. Isto assim escrito, até teria alguma
piada, mas não tanta, ao ponto de arrancar gargalhadas daquelas que permitem
aos novos famosos, os palermas dos comediantes, terem colunas em tudo o que é
revista e jornal.
Ora então, se hoje em dia se fazem licenciaturas
instantâneas, que não servem para nada pois precisam-se é de ferramentas, não
de canudos, se qualquer palerma publica num jornal e se cada vez mais se
reclamam oportunidades, então eu também quero! Não que escreva maravilhosamente
bem, mas isso até pode ser requisito. Escrevo o que me vem à cabeça e tento
transmiti-lo genuína e arcaicamente na melhor forma. E não me deem secções de
correspondência ou do leitor. Eu nem sou grande leitor. Muitas vezes não tenho
paciência, leio as gordas e tento ficar com uma ideia. Ler, vale a pena, mas
tem que haver disponibilidade mental e assimilação de qualquer coisa. Ler, só por
ler, sem entrar nada é que não. É por isso que fico por
aqui.
sábado, 11 de agosto de 2012
Escravos olímpicos
Os até agora resultados dececionantes dos atletas portugueses, beliscam o orgulho dos seguidores dos entusiasmantes
jogos olímpicos. Neste caso os de Londres. Para os adeptos do desporto, os
jogos são uma grande festa. Variedade de modalidades, horas e horas de
competição, espetáculo e recordes para bater na concretização infalível de 4
anos de espera.
Invariavelmente aprendemos a ver os jogos de uma forma menos tensa, mais lúdica, pois já não esperamos grandes feitos nacionais. Falta de preparação, de atitude, de apoio, demasiada pressão, um dia mau, várias são as justificações. A verdade é que fomos ficando para trás. Edição após edição, os resultados evoluem, a competição é mais feroz e uma medalha que se pode ter apenas de 4 em 4 anos é disputada a um nível elevadíssimo. Os jogos, que têm a sua sustentação num espírito olímpico são cada vez mais o espelho de capacidades super-humanas. O esforço que é empreendido por um atleta na preparação dos jogos começa a atingir níveis que desafiam o limite da capacidade humana. Capacidades sobre-humanas. Fará sentido dedicar toda uma vida por uma medalha? Toda uma vida parece exagero, mas o que inicialmente são 10 ou mais horas de treino diário durante a infância, adolescência e juventude, são no futuro horas perdidas ou não ganhas numa infância, adolescência ou juventude que não se vivem outra vez, e onde não se viveu o que se devia ter vivido. E sabemos como marcam estas fases, a vida. Irrecuperável e sem preço. Por representação de um país, a troco de uma bolsa incerta e glória efémera. Nalguns países, os mais desenvolvidos, um atleta que se compromete física e espiritualmente durante anos para alcançar a glória, até terá o seu futuro garantido. Phelps foi transformado de criança hiperativa no mais medalhado de sempre, à porta dos 30 anos deixa as piscinas e de certo a América lhe dará uma ocupação, mas qual será o futuro das jovens ginastas chinesas e de toda a quase totalidade dos atletas que não ficam na história? As capacidades são afinal desumanas.
Os portugueses não conseguem nenhuma glória. A prata dourada na canoagem é a exceção que confirma a regra. Sem dúvida um grande feito, a modalidade menos financiada alcança o melhor resultado. Talvez até Portugal conseguisse algo mais se houvesse um maior comprometimento e esforço de todos os envolvidos. Mas se calhar é melhor mantermo-nos assim. Normais. O desporto é suposto ser são.
Os jogos necessitam de um reset. Escravos eram os gladiadores nos jogos do coliseu de Roma.
Invariavelmente aprendemos a ver os jogos de uma forma menos tensa, mais lúdica, pois já não esperamos grandes feitos nacionais. Falta de preparação, de atitude, de apoio, demasiada pressão, um dia mau, várias são as justificações. A verdade é que fomos ficando para trás. Edição após edição, os resultados evoluem, a competição é mais feroz e uma medalha que se pode ter apenas de 4 em 4 anos é disputada a um nível elevadíssimo. Os jogos, que têm a sua sustentação num espírito olímpico são cada vez mais o espelho de capacidades super-humanas. O esforço que é empreendido por um atleta na preparação dos jogos começa a atingir níveis que desafiam o limite da capacidade humana. Capacidades sobre-humanas. Fará sentido dedicar toda uma vida por uma medalha? Toda uma vida parece exagero, mas o que inicialmente são 10 ou mais horas de treino diário durante a infância, adolescência e juventude, são no futuro horas perdidas ou não ganhas numa infância, adolescência ou juventude que não se vivem outra vez, e onde não se viveu o que se devia ter vivido. E sabemos como marcam estas fases, a vida. Irrecuperável e sem preço. Por representação de um país, a troco de uma bolsa incerta e glória efémera. Nalguns países, os mais desenvolvidos, um atleta que se compromete física e espiritualmente durante anos para alcançar a glória, até terá o seu futuro garantido. Phelps foi transformado de criança hiperativa no mais medalhado de sempre, à porta dos 30 anos deixa as piscinas e de certo a América lhe dará uma ocupação, mas qual será o futuro das jovens ginastas chinesas e de toda a quase totalidade dos atletas que não ficam na história? As capacidades são afinal desumanas.
Os portugueses não conseguem nenhuma glória. A prata dourada na canoagem é a exceção que confirma a regra. Sem dúvida um grande feito, a modalidade menos financiada alcança o melhor resultado. Talvez até Portugal conseguisse algo mais se houvesse um maior comprometimento e esforço de todos os envolvidos. Mas se calhar é melhor mantermo-nos assim. Normais. O desporto é suposto ser são.
Os jogos necessitam de um reset. Escravos eram os gladiadores nos jogos do coliseu de Roma.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
O meu primo Carlos
Ligou-me há um mês atrás para me dar os parabéns. Do
Indiana. Estava calor, vários fahrenheit, que só por si já são muitos. “Em
Chicago é que é bom”, acrescentou. Que grande maluco! O que virá a seguir? “Estou
no Alabama! Aqui no faroeste do Colorado é uma autêntica torreira”. Imagino-o
nos desfiladeiros, dos filmes de cowboys que víamos na infância. A esta
distância, agora percebo que logo nessa altura, o mundo poderia ser pequeno
para o irrequieto Carlitos. Eramos como irmãos. Para mim também um melhor
amigo. Fazíamos coisas de putos, normais da idade. Com as raparigas sempre foi
mais afoito. Mas agora refiro-me aos espalhanços de bicicleta, aos carros de
rolamentos, aos piões. Partilhas e cumplicidades. Algumas bem parvas, como escondermos
um ramo de cabeças de alho nos sacões de papelão de dezenas de pães que os
nossos pais nos encomendavam para o café.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Portugal festivaleiro
publicado na BLITZ de Agosto de 2012
Gosto da palavra festivaleiro, é forte, soa bem e transmite alegria. Não haverá motivos para grandes festejos e animações, mas inversamente ao estado geral, Portugal é neste momento o país Festival. E não num sentido negativo. Nesta época do ano, dá para ficar perdido no mapa dos festivais tal é a quantidade! E com tamanho ecletismo. Norte, centro e sul. Interior, serra, planície e litoral. Praia e campo. Continente e ilhas. Só a tmn está em três, a Optimus em dois e a Vodafone noutro. RTP, SIC, rádios e jornalistas. EDP e Partido Comunista. Super Bock e Sumol. Relva, pó, cimento, muralhas ou terra. Pop, rock, jazz, metal, alternativa e electrónica. Clássico e contemporâneo. Palcos grandes, médios, pequenos e tendas VIP. Bandas, mais que muitas, novas, velhas, jurássicas, nacionais e estrangeiras.
Gosto da palavra festivaleiro, é forte, soa bem e transmite alegria. Não haverá motivos para grandes festejos e animações, mas inversamente ao estado geral, Portugal é neste momento o país Festival. E não num sentido negativo. Nesta época do ano, dá para ficar perdido no mapa dos festivais tal é a quantidade! E com tamanho ecletismo. Norte, centro e sul. Interior, serra, planície e litoral. Praia e campo. Continente e ilhas. Só a tmn está em três, a Optimus em dois e a Vodafone noutro. RTP, SIC, rádios e jornalistas. EDP e Partido Comunista. Super Bock e Sumol. Relva, pó, cimento, muralhas ou terra. Pop, rock, jazz, metal, alternativa e electrónica. Clássico e contemporâneo. Palcos grandes, médios, pequenos e tendas VIP. Bandas, mais que muitas, novas, velhas, jurássicas, nacionais e estrangeiras.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Manel Zé à Selecção!
Trato-o assim, não por menosprezo, ou discordância com a sua
recente posição relativamente à Selecção de todos nós. Trato-o assim, não por o
conhecer pessoalmente e ter confiança para tal. Trato-o assim, porque ele
revelou um tremendo conhecimento dos portugueses. De todos nós e da situação
que directa ou indirectamente vivemos. Tratou-nos como se nos conhecesse
profundamente, sentindo e solidarizando-se. Tratou-me também a mim, e se ele o
fez, eu também posso dizer: “É isso mesmo Zé! Manel, Zé!”.
A solidariedade só se consegue praticar verdadeiramente
quando é sentida. E a esta selecção é difícil sentir. É feita de elites. As que
sentem a crise de maneira diferente, ou não a sentem de todo. O que apesar de
tudo, não deixa de ser estranho. Muitos estamos, conhecemos directamente alguém
que está ou corre o risco de vir a estar desempregado. Os tempos mudaram é
impossível estar indiferente e fingir que nada se passa. E é isso, ou
praticamente, que tem sido feito. Indiferença perante a grave situação económica
e social em que Portugal se encontra. Indiferença dos protagonistas por o permitirem e
dos que fazem por mostrar. Durante as últimas semanas, diariamente e com
relativa frequência horária, somos invadidos com o relato dos últimos minutos
deste ou daquele envolvido na selecção. Seja ele jogador, treinador, médico,
dirigente, fotógrafo, cozinheiro ou motorista.
Eu quero é futebol! Técnica, táctica, golos! Se quisesse um
Big Brother via a TVI!
terça-feira, 22 de maio de 2012
Taça de Ouro Negro
O Cavaco não foi ver a final da Taça. Algo de muito
importante e de interesse extremamente superior deve ter ido fazer, para que,
um país que vive de futebol e tem na festa do Jamor um dos dias mais
importantes do ano, se veja privado do chefe maior da nação. Como se não
bastasse, seguiu em sua substituição a segunda figura mais importante do Estado. Um acontecimento de primeira, não pode ter um representante de
segunda! E para quem andar mais distraído, a segunda figura não é o Passos (a
figura dele é outra, a da chacota). A segunda figura é antes uma mulher, sem
desprimor para o sexo feminino que cada vez mais vive efusivamente o futebol, a
chefe da Assembleia da República que lá fez o frete de não entregar a Taça aos
leões e aprová-la aos briosos estudantes coimbrões de negro.
De negro estará o Cavaco em Timor a tentar encher a
taça das influências e das relações internacionais. De milhões do fundo do
petróleo que, em 10 anos, fizeram de Timor devedor a potencial credor de Portugal. Assim
o admitem os seus dirigentes e o confirma o nosso presidente, embora que
disfarçadamente. Mau disfarce de uma campanha publicitária do bom investimento
que é a dívida portuguesa. Podia-se ter levado um spot da pêra rocha, da maçã
bravo de Esmolfe, do azeite galo, do mais recente tinto campeão do mundo, da
tecnologia, do tomate cereja ou da própria cereja. Mas não, publicitou-se
dívida. Refletindo melhor, publicitar produção nacional da boa, para quem
comprar? Uma população, em que metade vive a baixo do limiar de pobreza, sendo
que a outra metade não deve andar muito acima? Talvez até faça sentido promover
dívida.
domingo, 20 de maio de 2012
Voltar à terra
publicado no Público de 11 de Agosto de 2012
No sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à província de pais e avós.
Em órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional, devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo. Com curvas e contracurvas. Montanhas e escarpas. Currais, casas e animais. Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas. Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os avós.
No sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à província de pais e avós.
Em órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional, devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo. Com curvas e contracurvas. Montanhas e escarpas. Currais, casas e animais. Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas. Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os avós.
sábado, 28 de abril de 2012
Gunn on pirates
publicado na BLITZ de Junho de 2012
Paulo Furtado, um dos vocalista dos Wraygunn diz gostar de viver em Portugal. Das nossas gentes, costumes e locais. Não acha necessário emigrar para fazer carreira e ter sucesso internacional na música. A sua e a dos seus companheiros de palco. Definem-se num estilo inpirado pela localização de Portugal no centro do eixo América-África. É o que dá fumar cenas! Podia-lhes dar para pior, mas o resultado até é bastante bom.
Paulo Furtado, um dos vocalista dos Wraygunn diz gostar de viver em Portugal. Das nossas gentes, costumes e locais. Não acha necessário emigrar para fazer carreira e ter sucesso internacional na música. A sua e a dos seus companheiros de palco. Definem-se num estilo inpirado pela localização de Portugal no centro do eixo América-África. É o que dá fumar cenas! Podia-lhes dar para pior, mas o resultado até é bastante bom.
Apesar de serem fãs do seu país, o nosso, é que parece não ser
grande fã… da música. Numa época em que o digital cada vez mais nos consome e
nós o consumimos, a música não é excepção. As vendas digitais começam a ser tão
ou mais importantes que as vendas palpáveis. Excepto, neste nosso país. Ao contrário
de muitos outros onde o crescimento é exponencial, em Portugal o mercado de
música digital não cresce. Não tem expressão. E a culpa é da nova lei
anti-pirataria que não sai. Não! A culpa é da cultura. A cultura musical não é
apreciada como um bem essencial. É antes depreciada com um preço inflacionado
pelo valor acrescentado de imposto à taxa máxima. Não que a cultura não tenha
valor, ou o valor cultural da música que se produz, a sua qualidade, não atinja
o patamar máximo. Porque o atinge. E cada vez mais, dada a quantidade e
qualidade de novos grupos. E se o atinge, ou só por isso, não deveria ter
equivalência no imposto, antes pelo contrário. Mas não é essencial. Não é
essencial porque não se educa e transmite a sua arte e apreciação. Tanto
no ensino oficial, nas escolas, como no privado, fora das escolas, entre cada
um de nós.
domingo, 15 de abril de 2012
MAC - o berço do país
A MAC é o berço
do país. Não confundir com o facto de Guimarães ser o berço da nação. Não se
trata de nenhuma ataque anti-regionalista, são coisas diferentes. A MAC é o
berço de Portugal!
A MAC é vida.
Fechá-la é morrer. É matar um pedaço de Portugal. É
dispersar e perder conhecimento acumulado de valor incalculável na ciência de
fazer nascer, dar vida e oferecer paternidade. A MAC é também sinónimo de
justiça e pluralidade social. Todos nascemos iguais, ou devíamos, quanto mais
não fosse na possibilidade de acesso a cuidados de assistência médica com
segurança e qualidade.
O nascimento é
um elemento fulcral da sociedade. Contribui para o equilíbrio da pirâmide
demográfica e numa altura em que se fala tanto na sustentabilidade da segurança
social, congelam-se as reformas antecipadas a montante e cortam-se nos
nascimentos, a jusante. É claro que este corte é insignificante em termos quantitativos,
mas como se já não bastasse a falta de política de incentivo e apoio à
natalidade, não deixa de ser mais uma machadada. Mesmo que simbólica e moral.
Apesar de não conhecer os números, simbólica deverá ser também a poupança de
despesa que justifica este fecho. Ou o ganho na rentabilização do
aproveitamento dos serviços de parto e neonatologia de outros hospitais. Ora,
sendo simbólico, de certo não o será a dispersão, logo perda, de conhecimento
de valor inestimável, como já referi. Nascer não é como arrancar um dente, por
muito amor que se tenha a um dente. Nascer é sim, o expoente máximo de um acto
de amor! Com todo o sofrimento, emoção e responsabilidade que
acarreta. Então porquê fechar? Privilegie-se pelo menos desta vez o que é
genuíno, nosso, tradicional, cultural, cientifico!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Coca-Cola: por um mundo melhor
Li no jornal Público
algumas conclusões do RASI de 2011. Parece um nome indiano, mas não, é o
Relatório Anual de Segurança Interna. Constatam-se factos e analisam-se
resultados. Resumidamente a criminalidade baixou residualmente relativamente ao
ano anterior (2%), com destaque, na baixa, para o crime violento.
Aumentaram os delitos
menores, por esticão e assaltos a ourivesarias. Um sinal claro da crise e dos
seus efeitos. É preciso liquidez imediata, não há tempo para engendrar
grandes esquemas, com homicídios pelo meio, correndo-se o risco de não se sair
tão cedo de uma cadeia sobrelotada, onde, ao que parece, grande parte são
estrangeiros, que enganados ao que vinham, tornaram-se violentos. Ser violento
é relativo. Está dentro de nós, faz parte da nossa natureza, só que está
adormecida. Experimente-se não dormir, ou mal, durante muito tempo, junte-se-lhe
fome, ruído, saturação física e psicológica, desespero, luta pela sobrevivência, pânico
e… é vê-la acordar.
Tal como noutras coisas
neste país, também nos crimes, ou na violência se assiste a um desequilíbrio de
distribuição geográfica. Porto e Lisboa têm as maiores fatias e o resto é
paisagem. Ou quase. Na paisagem destaca-se Setúbal, não só pela beleza natural,
mas porque completa juntamente com as capitais os 75% do
crime português.
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