quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Live at London

Ainda os jogos. Já se sabia que os ingleses têm a mania de serem diferentes. Fizeram questão de o mostrar mais uma vez nestes olímpicos. Prova disso foi a cerimónia de abertura, mas principalmente a de encerramento. Não sei agora precisar quanto, mas com orçamento bastante inferior ao da última edição, a faraónica de Peqim, os britânicos não se deixaram passar despercebidos e não fizeram cerimónia. Fizeram sim, uma grande cerimónia.

O ponto alto foi, com toda a certeza (pelo menos para mim), a ressurreição de Freddie Mercury em pleno estádio olímpico para a reedição interativa do “Live at Wembley”. Momento genial! Quem imaginaria voltar a ver e ouvir, a sentir, um estádio inteiro a acompanhar em uníssono esse ícone musical com os famosos “dirórês”? Melhor, não poderia ter resultado. Qualquer apreciador de música ao vivo e de todo o espetáculo subjacente terá desejado estar presente. Brian May um monstro da guitarra, bem vivo, revigorou “We will rock you”, tema já de si bem pujante, num excelente dueto com a bela Jessie J. O desfile de ídolos não se ficou por aqui. Pode-se até dizer que foi a cerimónia do prefixo “re”. Reaparecimentos de John Lennon e dos Beatles (Paul McCartney na abertura), David Bowie, George Michael, The Who, Annie Lennox, Pet Shop Boys, Pink Floyd. Reavivar e relançamento de Artic Monkeys, Kaiser Chiefs, Jessie J… e o rejuvenescimento das maduras, mas sempre picantes Spice Girls.

Não foi preciso inventar muito, bastou usar o que já estava inventado. Com tanta matéria-prima, o trabalho de qualquer realizador, encenador ou coreógrafo, restringe-se à tarefa de gestor de alinhamento. Simples, mas boa música, requinte e bom jogo de luzes: sai uma cerimónia e um espetáculo grandioso.

Foram os britânicos a exibirem o que de melhor a sua cultura tem exportado ao longo dos últimos 50 anos. E quer se queira, quer não, também através da cultura lá estiveram os genes portugueses, com sotaque brasileiro na passagem de testemunho para 2016.

(Como não consegui comprar os direitos de imagem, ficam os links: Queen - http://www.youtube.com/watch?v=YzoyDILKlhY; Spice Girls - http://www.youtube.com/watch?v=PArTdhNda7k)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Correio do leitor

As secções jornalísticas destinadas à correspondência dos leitores causam-me algum desconsolo. Em nome da poupança de espaço, cortam e truncam o que lhes apetece. No fundo praticam austeridade literária. E nesse sentido, sinto-me lesado, pois a minha, boa ou má, não deixa de ser literatura. É por isso que reclamo um artigo publicado, mas num espaço condigno, sem censura e com relativo destaque. É ambicioso e presunçoso? Sim. Mas apetece-me reclamar os meus 15 minutos de fama. Que serão apenas algumas dezenas de segundos, não mais do que o tempo que demora a ler um texto como este.

Por ventura estarei a ser demasiado pretensioso. Afinal de contas, não tenho qualquer formação superior que me confira qualquer credibilidade para, de repente, querer publicar um texto. Mas antes desabilitado do que com uma licenciatura “relvaticamente” formada. Ou forjada. Bem sei que vivemos numa selva em que vale tudo. Mas eu estudei, trabalho, desconto e na velhice a única certeza que tenho é a de que a reforma será uma miragem. A mesma reforma que outras ervas daninhas adquirem em meia dúzia de anos no parlamento. As tais subvenções criadas pelo Cavaco para compensar os que servem o país, pelas oportunidades profissionais perdidas no tempo de desgovernação. Vá lá que o Sócrates estava atento e acabou com isso. Terá sido o assumir que afinal a governação não fecha portas, abre sim os gabinetes de grandes empresas. As mesmas onde se começa a pagar e procurar mais um serralheiro ou um carpinteiro, do que um arquiteto ou um engenheiro. Isto assim escrito, até teria alguma piada, mas não tanta, ao ponto de arrancar gargalhadas daquelas que permitem aos novos famosos, os palermas dos comediantes, terem colunas em tudo o que é revista e jornal.

Ora então, se hoje em dia se fazem licenciaturas instantâneas, que não servem para nada pois precisam-se é de ferramentas, não de canudos, se qualquer palerma publica num jornal e se cada vez mais se reclamam oportunidades, então eu também quero! Não que escreva maravilhosamente bem, mas isso até pode ser requisito. Escrevo o que me vem à cabeça e tento transmiti-lo genuína e arcaicamente na melhor forma. E não me deem secções de correspondência ou do leitor. Eu nem sou grande leitor. Muitas vezes não tenho paciência, leio as gordas e tento ficar com uma ideia. Ler, vale a pena, mas tem que haver disponibilidade mental e assimilação de qualquer coisa. Ler, só por ler, sem entrar nada é que não. É por isso que fico por aqui.

sábado, 11 de agosto de 2012

Escravos olímpicos

Os até agora resultados dececionantes dos atletas portugueses, beliscam o orgulho dos seguidores dos entusiasmantes jogos olímpicos. Neste caso os de Londres. Para os adeptos do desporto, os jogos são uma grande festa. Variedade de modalidades, horas e horas de competição, espetáculo e recordes para bater na concretização infalível de 4 anos de espera.

Invariavelmente aprendemos a ver os jogos de uma forma menos tensa, mais lúdica, pois já não esperamos grandes feitos nacionais. Falta de preparação, de atitude, de apoio, demasiada pressão, um dia mau, várias são as justificações. A verdade é que fomos ficando para trás. Edição após edição, os resultados evoluem, a competição é mais feroz e uma medalha que se pode ter apenas de 4 em 4 anos é disputada a um nível elevadíssimo. Os jogos, que têm a sua sustentação num espírito olímpico são cada vez mais o espelho de capacidades super-humanas. O esforço que é empreendido por um atleta na preparação dos jogos começa a atingir níveis que desafiam o limite da capacidade humana. Capacidades sobre-humanas. Fará sentido dedicar toda uma vida por uma medalha? Toda uma vida parece exagero, mas o que inicialmente são 10 ou mais horas de treino diário durante a infância, adolescência e juventude, são no futuro horas perdidas ou não ganhas numa infância, adolescência ou juventude que não se vivem outra vez, e onde não se viveu o que se devia ter vivido. E sabemos como marcam estas fases, a vida. Irrecuperável e sem preço. Por representação de um país, a troco de uma bolsa incerta e glória efémera. Nalguns países, os mais desenvolvidos, um atleta que se compromete física e espiritualmente durante anos para alcançar a glória, até terá o seu futuro garantido. Phelps foi transformado de criança hiperativa no mais medalhado de sempre, à porta dos 30 anos deixa as piscinas e de certo a América lhe dará uma ocupação, mas qual será o futuro das jovens ginastas chinesas e de toda a quase totalidade dos atletas que não ficam na história? As capacidades são afinal desumanas.

Os portugueses não conseguem nenhuma glória. A prata dourada na canoagem é a exceção que confirma a regra. Sem dúvida um grande feito, a modalidade menos financiada alcança o melhor resultado. Talvez até Portugal conseguisse algo mais se houvesse um maior comprometimento e esforço de todos os envolvidos. Mas se calhar é melhor mantermo-nos assim. Normais. O desporto é suposto ser são.

Os jogos necessitam de um reset. Escravos eram os gladiadores nos jogos do coliseu de Roma.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O meu primo Carlos


Ligou-me há um mês atrás para me dar os parabéns. Do Indiana. Estava calor, vários fahrenheit, que só por si já são muitos. “Em Chicago é que é bom”, acrescentou. Que grande maluco! O que virá a seguir? “Estou no Alabama! Aqui no faroeste do Colorado é uma autêntica torreira”. Imagino-o nos desfiladeiros, dos filmes de cowboys que víamos na infância. A esta distância, agora percebo que logo nessa altura, o mundo poderia ser pequeno para o irrequieto Carlitos. Eramos como irmãos. Para mim também um melhor amigo. Fazíamos coisas de putos, normais da idade. Com as raparigas sempre foi mais afoito. Mas agora refiro-me aos espalhanços de bicicleta, aos carros de rolamentos, aos piões. Partilhas e cumplicidades. Algumas bem parvas, como escondermos um ramo de cabeças de alho nos sacões de papelão de dezenas de pães que os nossos pais nos encomendavam para o café.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Portugal festivaleiro

publicado na BLITZ de Agosto de 2012
 
Gosto da palavra festivaleiro, é forte, soa bem e transmite alegria. Não haverá motivos para grandes festejos e animações, mas inversamente ao estado geral, Portugal é neste momento o país Festival. E não num sentido negativo. Nesta época do ano, dá para ficar perdido no mapa dos festivais tal é a quantidade! E com tamanho ecletismo. Norte, centro e sul. Interior, serra, planície e litoral. Praia e campo. Continente e ilhas. Só a tmn está em três, a Optimus em dois e a Vodafone noutro. RTP, SIC, rádios e jornalistas. EDP e Partido Comunista. Super Bock e Sumol. Relva, pó, cimento, muralhas ou terra. Pop, rock, jazz, metal, alternativa e electrónica. Clássico e contemporâneo. Palcos grandes, médios, pequenos e tendas VIP. Bandas, mais que muitas, novas, velhas, jurássicas, nacionais e estrangeiras.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Manel Zé à Selecção!

Trato-o assim, não por menosprezo, ou discordância com a sua recente posição relativamente à Selecção de todos nós. Trato-o assim, não por o conhecer pessoalmente e ter confiança para tal. Trato-o assim, porque ele revelou um tremendo conhecimento dos portugueses. De todos nós e da situação que directa ou indirectamente vivemos. Tratou-nos como se nos conhecesse profundamente, sentindo e solidarizando-se. Tratou-me também a mim, e se ele o fez, eu também posso dizer: “É isso mesmo Zé! Manel, Zé!”.

A solidariedade só se consegue praticar verdadeiramente quando é sentida. E a esta selecção é difícil sentir. É feita de elites. As que sentem a crise de maneira diferente, ou não a sentem de todo. O que apesar de tudo, não deixa de ser estranho. Muitos estamos, conhecemos directamente alguém que está ou corre o risco de vir a estar desempregado. Os tempos mudaram é impossível estar indiferente e fingir que nada se passa. E é isso, ou praticamente, que tem sido feito. Indiferença perante a grave situação económica e social em que Portugal se encontra. Indiferença dos protagonistas por o permitirem e dos que fazem por mostrar. Durante as últimas semanas, diariamente e com relativa frequência horária, somos invadidos com o relato dos últimos minutos deste ou daquele envolvido na selecção. Seja ele jogador, treinador, médico, dirigente, fotógrafo, cozinheiro ou motorista.

Eu quero é futebol! Técnica, táctica, golos! Se quisesse um Big Brother via a TVI!


terça-feira, 22 de maio de 2012

Taça de Ouro Negro

O Cavaco não foi ver a final da Taça. Algo de muito importante e de interesse extremamente superior deve ter ido fazer, para que, um país que vive de futebol e tem na festa do Jamor um dos dias mais importantes do ano, se veja privado do chefe maior da nação. Como se não bastasse, seguiu em sua substituição a segunda figura mais importante do Estado. Um acontecimento de primeira, não pode ter um representante de segunda! E para quem andar mais distraído, a segunda figura não é o Passos (a figura dele é outra, a da chacota). A segunda figura é antes uma mulher, sem desprimor para o sexo feminino que cada vez mais vive efusivamente o futebol, a chefe da Assembleia da República que lá fez o frete de não entregar a Taça aos leões e aprová-la aos briosos estudantes coimbrões de negro.

De negro estará o Cavaco em Timor a tentar encher a taça das influências e das relações internacionais. De milhões do fundo do petróleo que, em 10 anos, fizeram de Timor devedor a potencial credor de Portugal. Assim o admitem os seus dirigentes e o confirma o nosso presidente, embora que disfarçadamente. Mau disfarce de uma campanha publicitária do bom investimento que é a dívida portuguesa. Podia-se ter levado um spot da pêra rocha, da maçã bravo de Esmolfe, do azeite galo, do mais recente tinto campeão do mundo, da tecnologia, do tomate cereja ou da própria cereja. Mas não, publicitou-se dívida. Refletindo melhor, publicitar produção nacional da boa, para quem comprar? Uma população, em que metade vive a baixo do limiar de pobreza, sendo que a outra metade não deve andar muito acima? Talvez até faça sentido promover dívida.


domingo, 20 de maio de 2012

Voltar à terra

publicado no Público de 11 de Agosto de 2012
 

No sentido literal para os astronautas em órbita, no sentido figurado para os que andam com a cabeça na lua, no sentido economicista de última alternativa de fuga às dificuldades e de procura de uma vida melhor e, no sentido lúdico, fraternal e migratório do retornar à província de pais e avós.

Em órbita nunca andamos, ser astronauta é só para predestinados. Se não andarmos com a cabeça na lua, não temos como aguentar os pés assentes no chão. E, ir à terra passear passou a ser um luxo. A não ser que se vá pela nacional, devagarinho, a contemplar os caminhos de outros tempos, no dobro do tempo. Com curvas e contracurvas. Montanhas e  escarpas. Currais, casas e animais. Pinhais, chaparrais, olivais e vinhais. Rectas, planícies, cultivos e colinas. Rios e riachos que seguem o seu curso, sem parar. Como a vida, que foi indo e tristemente deixou a terra abandonada. Às silvas, como temerosamente alertavam os avós.

sábado, 28 de abril de 2012

Gunn on pirates

publicado na BLITZ de Junho de 2012
 
Paulo Furtado, um dos vocalista dos Wraygunn diz gostar de viver em Portugal. Das nossas gentes, costumes e locais. Não acha necessário emigrar para fazer carreira e ter sucesso internacional na música. A sua e a dos seus companheiros de palco. Definem-se num estilo inpirado pela localização de Portugal no centro do eixo América-África. É o que dá fumar cenas! Podia-lhes dar para pior, mas o resultado até é bastante bom.

Apesar de serem fãs do seu país, o nosso, é que parece não ser grande fã… da música. Numa época em que o digital cada vez mais nos consome e nós o consumimos, a música não é excepção. As vendas digitais começam a ser tão ou mais importantes que as vendas palpáveis. Excepto, neste nosso país. Ao contrário de muitos outros onde o crescimento é exponencial, em Portugal o mercado de música digital não cresce. Não tem expressão. E a culpa é da nova lei anti-pirataria que não sai. Não! A culpa é da cultura. A cultura musical não é apreciada como um bem essencial. É antes depreciada com um preço inflacionado pelo valor acrescentado de imposto à taxa máxima. Não que a cultura não tenha valor, ou o valor cultural da música que se produz, a sua qualidade, não atinja o patamar máximo. Porque o atinge. E cada vez mais, dada a quantidade e qualidade de novos grupos. E se o atinge, ou só por isso, não deveria ter equivalência no imposto, antes pelo contrário. Mas não é essencial. Não é essencial porque não se educa e transmite a sua arte e apreciação. Tanto no ensino oficial, nas escolas, como no privado, fora das escolas, entre cada um de nós.


domingo, 15 de abril de 2012

MAC - o berço do país

A MAC é o berço do país. Não confundir com o facto de Guimarães ser o berço da nação. Não se trata de nenhuma ataque anti-regionalista, são coisas diferentes. A MAC é o berço de Portugal!

A MAC é vida. Fechá-la é morrer. É matar um pedaço de Portugal. É dispersar e perder conhecimento acumulado de valor incalculável na ciência de fazer nascer, dar vida e oferecer paternidade. A MAC é também sinónimo de justiça e pluralidade social. Todos nascemos iguais, ou devíamos, quanto mais não fosse na possibilidade de acesso a cuidados de assistência médica com segurança e qualidade.

O nascimento é um elemento fulcral da sociedade. Contribui para o equilíbrio da pirâmide demográfica e numa altura em que se fala tanto na sustentabilidade da segurança social, congelam-se as reformas antecipadas a montante e cortam-se nos nascimentos, a jusante. É claro que este corte é insignificante em termos quantitativos, mas como se já não bastasse a falta de política de incentivo e apoio à natalidade, não deixa de ser mais uma machadada. Mesmo que simbólica e moral. Apesar de não conhecer os números, simbólica deverá ser também a poupança de despesa que justifica este fecho. Ou o ganho na rentabilização do aproveitamento dos serviços de parto e neonatologia de outros hospitais. Ora, sendo simbólico, de certo não o será a dispersão, logo perda, de conhecimento de valor inestimável, como já referi. Nascer não é como arrancar um dente, por muito amor que se tenha a um dente. Nascer é sim, o expoente máximo de um acto de amor! Com todo o sofrimento, emoção e responsabilidade que acarreta. Então porquê fechar? Privilegie-se pelo menos desta vez o que é genuíno, nosso, tradicional, cultural, cientifico!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Coca-Cola: por um mundo melhor

Li no jornal Público algumas conclusões do RASI de 2011. Parece um nome indiano, mas não, é o Relatório Anual de Segurança Interna. Constatam-se factos e analisam-se resultados. Resumidamente a criminalidade baixou residualmente relativamente ao ano anterior (2%), com destaque, na baixa, para o crime violento. 

Aumentaram os delitos menores, por esticão e assaltos a ourivesarias. Um sinal claro da crise e dos seus efeitos. É preciso liquidez imediata, não há tempo para engendrar grandes esquemas, com homicídios pelo meio, correndo-se o risco de não se sair tão cedo de uma cadeia sobrelotada, onde, ao que parece, grande parte são estrangeiros, que enganados ao que vinham, tornaram-se violentos. Ser violento é relativo. Está dentro de nós, faz parte da nossa natureza, só que está adormecida. Experimente-se não dormir, ou mal, durante muito tempo, junte-se-lhe fome, ruído, saturação física e psicológica, desespero, luta pela sobrevivência, pânico e… é vê-la acordar.

Tal como noutras coisas neste país, também nos crimes, ou na violência se assiste a um desequilíbrio de distribuição geográfica. Porto e Lisboa têm as maiores fatias e o resto é paisagem. Ou quase. Na paisagem destaca-se Setúbal, não só pela beleza natural, mas porque completa juntamente com as capitais os 75% do crime português.

domingo, 25 de março de 2012

TCC - Transpraia da Costa da Caparica

Soube-se na semana que passou que o Governo abandonou definitivamente o TGV.



Mas quê em andamento? A alta velocidade, isso é capaz de aleijar! Assim de repente, sair de comboios em andamento, só me lembro do comboio da Costa, o TCC. Se o Governo tivesse abandonado o TCC, doía menos.
Quer dizer, mesmo no TCC é preciso tomar precauções. Um gajo sem destreza, até pode ficar preso nos apoios laterias dos braços, por uma perna e ir de rojo pela areia até à próxima praia. Menos grave mas também comum e igualmente aborrecido, nestes saltos do Transpraia, é dar cabo de uma unhaca do pé, que aquilo é feito de ferro maciço, à boa moda antiga. Provoca dores e causa arrelias por causa da areia. E eu sei do que estou a falar, já tiveram alguma intervenção cirúrgica na unha grande do pé? Eu já, posso dizer que dói e não é nada giro ir para a praia com uma meia de licra preta. Um salto mal calculado pode ainda dar azo a uma aterragem forçada e bastante incomodativa em cima daquelas plantas com picos, que eu não sei agora o nome, parecem aspirantes a catos do deserto, de aspecto frágil e inofensivo, mas que picam bem! O que vale é que nem tudo é mau na ciência do abandono de comboios em andamento, em particular do Transpraia.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Filamento Médico Intermitente

Antes de mais alerto que o texto que se segue é susceptível de ferir a sensibilidade de pessoas sensíveis, susceptíveis de serem feridas. Se é uma delas, é melhor ir ler outra coisa.




Nos cuidados intensivos do hospital mundialmente famoso, o Filamento Médico Intermitente (FMI), encontra-se em internamento prolongado a D. Economia Gertrudes Mundial. Aguarda-se, a médica chefe e administradora, que após a sua sessão diária de solário e retoque plástico, lá apareceu, afirmando que vê sinais de estabilização na paciente, alertando no entanto, que a doença de que padece, a dívida, está espalhada e será penoso sair dela. As crises de Grécia e a insuficiência Portugal não apresentam grande preocupação clínica. Estão sob vigilância e internamente são controláveis, basta dar-lhes uma injecção. O perigo, são as possíveis recaídas futuras e ainda a hipótese de contágio, sabendo-se que há outros órgãos vitais, maiores, debilitados e há algum tempo também afectados.

Cá fora, a preocupação encontra-se instalada. O funcionamento do hospital é já visto com grande desconfiança. A sua reputação tem vindo a cair desde que foi criado pelos EUA, na altura com um bom propósito.



quinta-feira, 15 de março de 2012

O Álvaro II – O lóbi ataca

Tal como esperava o Álvaro voltou outra vez à cena. Aliás, ele até esteve sempre em cena, mas como o elo mais fraco. E agora prepara-se para levar com o seco: “adeus!”.

Um elo por onde é fácil pegar, ou se preferirem despegar. Sem experiência política, acaba por ser a vítima ideal. E por não ser político vai ser posto a andar. E isto, confesso, eu não percebo ou tenho muita dificuldade em perceber. Então não andamos todos fartos da demagogia dos políticos e das suas promessas convenientes, de ocasião, falsas e mentirosas?

Não sei se este seria o melhor ministro da economia, pois o momento é difícil e de economia percebo pouco, tenho apenas umas pequenas bases académicas, portanto, deixo essa avaliação para os espertos da matéria. Mas do pouco que sei e tenho lido, o homem até tinha ideias, intenções, propostas, acções, reformas e, por não ser político, apresentava-se livre dessa intoxicação. O problema, é que o problema é mesmo esse, não ser político, não saber lidar com as pressões, as influências e os compadrios. Tudo o que não vá a favor destas forças, vai contra elas, logo é uma ameaça e deve ser neutralizada.

São os chamados lobbys, ou lóbis (em português, eu prefiro já vão ver porquê).

sábado, 10 de março de 2012

Baby don't you want to go

Uma passagem de Blues entoada ao melhor estilo pelo, não menos estiloso, presidente dos Estados Unidos da América, Mr. Barack Obama. Aproveitou um concerto intimista na Casa Branca para se lamentar de não poder fazer coisas tão simples, como sair à noite apenas para passear a pé ou dar uma volta de carro por aí, para espairecer. Em compensação, continuou, pode ter em sua casa o Mick Jagger e o B.B. King para um serão de Blues! Um estilo musical que, ainda segundo ele, é uma das bandas sonoras do estado actual de dificuldade do mundo e do seu país. Cânticos e canções de trabalho que no seu tempo lutavam subtilmente contra a escravidão.

Inevitável não imaginar o Cavaco de olhos cerrados e pose fadista, no salão de festas do palácio de S. Bento… (guitarra portuguesa) pimpim, pirilipimpim, pimpim, pirilimpim, pimpim, pirilipimpim… “ai a minha reforma coitadinha, nem chega para as despesas, uns milhares de euritos daqui, outros de acolá, um jantar de miudezas, para mais não dá”, pimpim... Palmas (a ver se se cala)! Nós, deste lado do Atlântico, portugueses, somos um povo de sofrimento com um fado de património mundial, por isso… cantamo-lo. Entre um bom copo de vinho e um bom petisco, tudo há-de passar.

Na terra dos Blues, muitos defeitos se encontram. A escravidão agora é outra, por eles


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quartas, sábados e Domingos

No sábado houve Domingos. No próximo domingo já não. Na quarta-feira passada houve Taça na Madeira e quando muitos desconfiavam, o Sporting com Domingos reservou presença em mais uma prestigiante final no Jamor. No sábado anterior houve Taça da Liga, com Domingos, sem Sporting e com um grande Gil Vicente que ocupa um surpreendente e honroso sétimo lugar da Liga. Neste sábado, outra vez na Madeira, ainda com Domingos, voltou a não haver Sporting. Houve Marítimo, que há quase dois meses foi eliminado da Taça de Portugal, precisamente pelo Sporting em Alvalade. Marítimo esse que vendeu muito cara a derrota frente ao Benfica no campeonato, perdendo já nos minutos finais. Para a Taça, é bom lembrar, infligiu a única derrota oficial dos encarnados nesta época colocando-os fora da competição. Algo que o Jesus nunca conseguiu evitar. Equipa difícil portanto.

O Jesus tem tido semanas impecáveis, trabalha e descansa ao sétimo dia. O Villas-Boas cancelou o descanso e arrisca-se que o russo o mande vir para Portugal descansar. Para o Sporting? Muito dificilmente (a não ser que o Sá Pinto seja a próxima vítima). A oportunidade perdeu-se, para o Porto, para não variar. Mas esbanjar nova oportunidade, mesmo depois de a concretizar, desta vez com o Domingos, não lembra a ninguém. Só mesmo ao Sporting.

Na minha opinião, Domingos está no top dos treinadores portugueses. Penso ser inquestionável o seu valor. Ou o que fez no Braga e Académica, não foi com mérito?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sócrates e o Euro-Escudo

Não, não é nenhum título de uma nova produção de Hollywood. Mas podia. Podia se fosse uma daquelas produções baratas, com efeitos especiais que se compram em pacotes nos saldos da internet. Para quem não sabe do que eu estou a falar sugiro “Mega-Piranhas” ou “Mega-Tubarão vs Crocossauro”. Eu vi (mas só um bocadinho) no Syfy. Não sendo de Hollywood podia muito bem ser um filme alternativo, de realização franco-germânica com colaboração lusa, daqueles que no fim dizem: baseado em factos verídicos e com especial agradecimento ao povo português…

Sócrates é um alegre estudante de filosofia. Vive em Paris e vai de bicicleta para o curso. Não sem antes, aconchegar o seu pescoço com um cachecol vermelho-rosa. Leva na lancheira meia dúzia de pasteis de nata comprados na pastelaria do Silveira e do Boitiaux, “Comme à Lisbonne”. Afinal sempre alguém seguiu o conselho do Álvaro. “Eu soube sempre do poder do pastel de nata. Um pastel de nata bem feito encanta portugueses e estrangeiros. As pessoas provam e ficam logo com um sorriso na cara” diz o Silveira ao jornal de negócios (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=531755).

Sócrates goza do estatuto de “auditeur libre” do Instituto de Estudos Políticos de Paris e por isso não foi aos exames do primeiro semestre. Apesar dos seus antecedentes que tudo apontam no sentido da balda e do facilitismo universitário, a verdadeira razão não é essa: Sócrates aproveita o tempo que iria perder nos exames e na chatice que é estudar para os preparar e vai para a praia! Sim existe praia em Paris. Só que é fluvial, nas margens do rio Sena. Longe de querer ir ao banho, Sócrates vai pensar, meditar e concentrar-se no seu projecto pessoal. Um projecto que consolida nos seus mais profundos pensamentos durante as aulas de filosofia: “O Euro-Escudo”.

Paralelamente Merkel e Sarkozy assumem também um papel principal. Idealizam, também, um novo projecto: um escudo contra asteróides para proteger a Europa (http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2257263).

As cenas sucedem-se sobre estas duas personagens:

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Álvaro

Álvaro Santos Pereira, o académico que virou Ministro da Economia. Álvaro para os amigos. E jornalistas, a quem pediu que o tratassem apenas assim.

Não sou seu amigo, nem jornalista mas, por acaso, já era meu conhecido mesmo antes de ser ministro. Ouvi-o pela primeira vez na “Prova Oral”, na Antena 3, convidado por Fernando Alvim para uma hora de amena cavaqueira, durante a apresentação do seu novo livro: “Portugal na Hora da Verdade”. Foi há pouco menos de um ano, ainda ele não sabia que ia ser ministro (digo eu), ainda cá tínhamos o Sócrates, mas o FMI já estava a caminho. O seu livro apresentava-se acessível para os leigos e curiosos da Economia, actual e de interesse geral devido a toda a conjuntura de crise instalada, em larga expansão e sem fim à vista. Logo me pareceu ser um gajo porreiro, com o seu quê de emigrante (ou não fosse o seu ligeiro sotaque - sem menosprezo) e bastante idiota (no bom sentido, pois apresentou uma série de ideias para melhorar Portugal).

Álvaro, o académico, ministro da economia que se deixou apanhar pelas garras da política. Desde os primeiros momentos da sua governação que me questionei: sobreviverá e conseguirá libertar-se sem grandes danos?